Liderança e a arte de ampliar modelos mentais Prof. Gilberto de Souza
Como pudemos perceber no artigo anterior, nossos modelos mentais são formados por vários fatores: pela nossa carga genética; pela aquisição de informações de forma não consciente; pelos condicionamentos; e pelos significados dados às experiências.
Vimos que os modelos mentais podem tanto possibilitar quanto impossibilitar o crescimento, pois se trata do conjunto cristalizado de regras sobre: o que é real; o que é possível; o que as coisas significam; e como devemos agir ou reagir a esse ou aquele acontecimento.
Quando um modelo mental não proporciona mais os resultados desejados, muitas vezes, significa hora de mudança. Em alguns casos, o modelo da inovação permanente é muito importante. “Se funciona é obsoleto.” – Luiz Machado
Certa vez um cliente de coaching solicitou que as próximas sessões fossem focadas em sua necessidade de reinventar a abordagem comercial em determinado segmento do mercado, pois ele precisava vender R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais) por mês a um único cliente. Iniciamos um processo de reestruturação do modelo mental vigente e, dois anos depois, ele estava vendendo R$ 15.000.000,00 (quinze milhões) por mês no mesmo cliente. Vários fatores influenciaram tal evolução, mas o principal foi a ampliação do modelo mental. Segundo ele, isso o preparou para acreditar nas evidencias do mercado e tomar decisões crucialmente importantes para o negócio de forma rápida e eficaz.
Como ampliar os modelos mentais?
Os três meios mais eficazes para ampliarmos nossos próprios modelos mentais ou criar as condições ideais para ampliação dos modelos mentais de outras pessoas são:
Conclusão
Emotização
Repetição
Conclusão
Por meio da reflexão ou da aquisição de conhecimentos podemos ampliar as chances de enxergarmos as coisas sob uma nova perspectiva. Para chegarmos à conclusão, alguns elementos são de suma importância:
a-) O novo conteúdo ou o novo modelo mental deve ser apresentado por alguém que tenha prestígio, autoridade e credibilidade, além de ser apresentado de forma lógica e que conduza à conclusão desejada;
b-) As informações devem estar embasadas em pesquisas e/ou experiências já realizadas em outros lugares ou por outras pessoas com citações de casos e depoimentos;
c-) A importância da mudança deve ser comunicada de forma que toque os significados da(s) pessoa(s), respondendo á questão ‘o que ganho ou ganhamos com isso’ de forma consistente;
d-) A estratégia sobre os recursos que serão ou terão que ser disponibilizados, deve ser apresentada com clareza especificando o papel de cada indivíduo e sua contribuição para o resultado desejado; e
e-) Comunicar a mudança por meio de uma metáfora adequada.
Emotização
O neologismo emotização indica “o ato ou efeito de emotizar”. Emotizar é também um neologismo, criado pelo Prof. Dr. Luiz Machado, pela necessidade de expressar situações em que provocamos as sensações de fortes emoções ou pensamentos que expressem firmes decisões tomadas com extrema convicção.
A emotização atinge até um estado de êxtase. Um sentimento tão intenso que se chega a desfrutar, prazerosa e concretamente, daquilo que no momento é apenas um desejo. Coletivamente, a emotização é mais facilmente conseguida.
A emotização é um dos assuntos estudados na Emotologia, a ciência do ser humano. Uma das leis da Emotologia é a da Emotização Auxiliar, que diz: quanto mais uma idéia, um quadro mental, um desejo for revestido de emotização, mais essa idéia, esse quadro mental, esse desejo tendem a realizar-se.
Para se conseguir a emotização precisa-se ter um objetivo claramente definido, com uma descrição significativa da(s) finalidade(s) de tal objetivo, de modo a facilitar a criação de um quadro mental que mobilize o sistema límbico (estruturas mais responsáveis pelas emoções em nosso cérebro).
Pode-se ver a emotização acontecendo nos ritos sagrados de passagem; nas convenções empresariais elaboradas com base na Emotologia; nos shows que criam as condições de o público se emocionar; nos discursos entusiásticos dos grandes líderes; etc.
Repetição
A repetição tem o objetivo de afastar o senso crítico-racional abrindo caminho para a aceitação, pura e simplesmente, do que é repetido. Analise a publicidade feita na televisão, por exemplo.
As pessoas que sabem estabelecer novos modelos mentais e sabem comunicar esses modelos de forma eficaz, geralmente tornam-se líderes. Gandhi, Martin Luther King, Kennedy, Madre Teresa, Mandela, Margaret Thatcher, Cristo etc. foram pessoas hábeis em ampliar modelos mentais. Qualquer pessoa pode fazer o mesmo, desde que munida das informações corretas.
Recentemente, assisti a uma apresentação do Técnico Luis Felipe Escolari, (também conhecido como Felipão) realizada para um grupo de executivos, onde ficou fácil perceber que sua missão junto à seleção de Portugal foi muito mais uma ampliação do modelo mental (da equipe e da nação), que uma questão de treinamento físico. Em sua apresentação, Felipão citou todos os passos descritos acima. Dois meses depois, recebemos em um de nossos programas de capacitação, um professor universitário de Portugal que comentou o impacto do Felipão no resgate aos valores ligados à pátria e à mudança de atitude da comunidade de forma geral. Assim, percebemos na prática o poder de se ampliar os modelos mentais.
Para que se provoque a evolução, necessitamos de abertura, receptividade, criatividade, paixão pela mudança e desejo de mobilizar nossas potencialidades como elemento de auto-realização. A Emotologia é a ciência que explica como podemos realizar esse processo.
Espero que você seja um ampliador de modelos mentais e dê uma contribuição significativa para você mesmo, para sua família, sua empresa, sua comunidade e toda a Humanidade.
Gilberto de Souza gilberto@cidadedocerebro.com.br
ADM – Especialista em Desenvolvimento Gerencial;
Diretor de Desenvolvimento da Cidade do Cérebro;
Pesquisador do Comportamento Humano;
Especialista em Emotologia e Emotopedia;
Criador do Coaching com Base na Emotologia;
Instrutor do Programa de Capacitação em Liderança: Pentágono;
Autor do livro: “Afinal, Qual é o Grande Segredo?”